A segunda atividade que planejei aplicar em sala de aula foi o avançando na prática da página 84 (TP3), sobre o gênero do cordel. Antecedeu esta atividade o trabalho iniciado na seção 3, sobre o referido tema. Inicialmente promovi a leitura do texto Justiça do trabalho - Uma justiça popular, de Antonio Viana, presente na página 78 do TP3. A partir da leitura e análise deste texto, foram apontadas algumas características deste gênero, bem como sua proximidade com a poesia. Os alunos demosntraram interesse pelo cordel, especialmente em função das rimas e da sonoridade inerentes ao gênero.
Na aula seguinte, me programei para realizar o avançando na prática, mas fui surpreedinda por uma situação que me levou a uma reconfiguração de planejamento. Enquanto realizávamos o horário de leitura (15 minutos após o recreio a escola toda realiza 15 minutos de leitura), um dos alunos me disse: "Olha profe...achei um livro de cordel!". Fui verificar e percebi que de fato, tratava-se de um cordel, "O flautista misterioso e os ratos de Hamelin". Houve um alvoroço na turma, os alunos largaram seus livros e todos queriam ver o livro que o aluno havia pego. Então, pedi que fizessem um círculo e sugeri que lêssemos o livro coletivamente. Na primeira rodada de leitura, os mais tímidos não quiseram ler e não os obriguei a isso. Porém à medida que a leitura ia avançando, outros alunos quiseram participar, pude perceber que a sonoridade do cordel os envolveu e, no final, apenas dois alunos deixaram de participar da roda de leitura, apesar de terem permanecido atentos à leitura dos colegas.
Os alunos adoraram a história e resolvi substituir o texto "As classes corajosas: Vaqueiro, agricultor, soldado e pescador", do avançando na prática, pelo texto que haviamos lido. Sendo assim, realizamos a análise do texto, chamando a atenção para o fato de que se trata de um texto narrativo, no qual é possível encontrar todos os elementos formadores desta tipologia, já trabalhada anteriormente com a turma. No final do livro, havia um breve histórico do cordel, do qual fiz cópias e distribui para a turma.
Os alunos quiseram saber o que era xilugravura , usada nas capas deste gênero de texto e então, os orientei para que falassem com a professora de artes, que entraria na turma no outro dia. No intervalo, conversei com a professora e alinhavamos uma atividade interdisciplinar. Os alunos criariam um cordel e fariam na aula de artes a capa para o mesmo.
Na aula seguinte, os alunos trataram de me explicar em que consistia a xilugravura e contaram-me sobre a possibilidade de criar a capa do cordel na aula de artes. Neste mesmo dia, ao irmos à biblioteca, encontramos textos de cordel em formato original, papel barato e capa em xilugravura. Fiquei realmente impressionada com o interesse dos alunos por esse gênero, em geral tão pouco trabalhado em nossas escolas.
Com relação a produção do cordel, exercitamos transformando contos em cordel, mas ainda não fizemos a produção que será feita em parceria com a professora de artes. Por hora, o prazer demonstrado pelos alunos na leitura desses textos já foi bastante compensador, enquanto professora de Língua Portuguesa e formadora de leitores.
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